domingo, 28 de agosto de 2011

A simbologia do azeite e do vaso






Por: Jânio Santos de Oliveira


Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembléia de Deus Taquara - 




Duque de Caxias- Rio de Janeiro

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Uma mulher das mulheres dos filhos dos profetas clamou a Eliseu dizendo:

Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que teu servo temia ao Senhor. E veio o credor, a levar-me os meus dois filhos para serem servos.

E Eliseu lhe disse: Que te hei de fazer? Declara-me o que é que tens em casa. E ela lhe disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.

Então disse ele: Vai, pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos. Então entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o azeite em todos os vasos, e põe a parte o que estiver cheio. (2 Re 4.1 – 3).

E assim ela fez. E ele lhe disse: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto. (V. 07).

Deus é o refúgio do Seu povo na hora da angústia, do sofrimento e das necessidades em geral, sejam elas essenciais ou não. O socorro divino nem sempre traz o aspecto de um milagre. Geralmente o socorro de Deus vem mediante o serviço de algum dos Seus servos ou de Suas servas. Vem ainda como resposta à oração e ao clamor de Seus filhos.

O milagre do azeite só aconteceu – Porque a mulher atendeu alguns quesitos indispensáveis:

1º - Submissão ao seu líder espiritual

2º - Ela possuía uma reserva de azeite

A botija com um pouquinho só de azeite;
Esta era a sua única herança.
Dos credores era grande a cobrança;
Da sua vida foi se embora o deleite.

3º - Ela possuía azeite em casa

4º - Ela tinha um azeite sagrado

5º - Ela tinha um bom testemunho onde vivia

6º - Ela fechou a porta – 2 Rs 4.4 “Fecha a porta, sobre ti e sobre teus filhos, e deita o azeite.”

Repare o tempo do verbo: é vivei! Dá perspectiva de continuidade; de que não faltará; de que será multiplicado e será abundante e não esgotará.

Aprendemos que agindo assim nossa vida será com vitórias; com qualidade; com significado; com propósito para nós e nossos filhos (naturais e adotados) porque estaremos vivendo uma vida na perspectiva do SENHOR: vida plena e abundante!

ÓLEO / AZEITE

O óleo de oliveira (azeite) foi um artigo de grande importância na Palestina, sendo usado como comida, remédio, iluminação e unção. É um tipo constante do Espírito Santo tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento.

A. Em Êxodo 40:9-11, aprendemos que o tabernáculo e os móveis deveriam ser ungidos com azeite. Como o tabernáculo era uma figura de Cristo, o azeite figurou Cristo sendo ungido pelo Espírito.

B. Em Êxodo 27.20-21, notamos que o interior do tabernáculo era iluminado pelo uso de óleo de oliveira. Como os pertences eram figuras de Cristo, a interpretação é fácil. Sem a iluminação do Espírito de Deus ninguém poderia ver as glorias do nosso Salvador.

C. Em Levítico 14.14-18, aprendemos que na purificação de uma lepra, foram usados tanto o sangue quanto o azeite. Isto revela que: quando alguém é convertido e curado do pecado, operam tanto o sangue de Cristo quanto a pessoa do Espírito Santo.

D. Os profetas, sacerdotes e reis sendo ungidos prefiguravam a Cristo como nosso profeta, sacerdote e rei.

E. Em Levítico 2:1, encontramos a flor de farinha (um tipo da carne imaculada de Cristo) que foi ungida com azeite (um tipo do Espírito Santo).

F. O óleo é freqüentemente associado, na Bíblia, a curas (Isaías 1:6; Lucas 10:34; Marcos 6:12-13). O Espírito Santo sara espiritualmente.

O azeite é um produto alimentar, usado como tempero, produzido a partir da azeitona, fruto advindo das oliveiras.

Na Bíblia, o azeite é utilizado como o símbolo da presença de Deus do Espírito Santo.

Em Gênesis, quando as chuvas do dilúvio tinham cessado e a arca ainda navegava sobre as águas, o patriarca Noé teria soltado uma pomba que retornou trazendo um ramo de oliveira.

Jacó, ao ter duas experiências sobrenaturais com Deus, em Betel, em ambas as vezes colocou no local uma coluna de pedra sobre a qual derramou azeite. (Gênesis 28:18 e 35:14)

Os judeus utilizavam o azeite nos seus sacrifícios e também como uma divina unção que era misturada com perfumes raros. Usava-se, portanto, o azeite na consagração dos sacerdotes (Êxodo 29:2-23; Levítico 6:15-21), no sacrifício diário (Êxodo 29:40), na purificação dos leprosos (Levítico 14:10-18 e 21:24-28), e no complemento do voto dos nazireus (Números 6:15).

Quando alguém apresentar ao Senhor uma oblação como oferta, a sua oblação será de flor de farinha; derramará sobre ela azeite, ajuntando também incenso. (Levítico 2:1)

Pode-se afirmar que a Torah previa três tipos de ofertas de manjares que deveriam ser acompanhadas com azeite e sem fermento, as quais eram: 1) flor de farinha com azeite e incenso; 2) bolos cozidos ou obreias (bolos muito finos) untadas com azeite; 3) grãos de cereais tostados com azeite e incenso. E, enquanto a ausência de fermento simbolizava a abstinência do pecado, o azeite representaria a presença de Deus. Parte das ofertas era então queimada no altar como sacrifício a Deus. Certas ofertas, contudo, deviam efetuar-se sem aquele óleo, como, por exemplo, as que eram feitas para expiação do pecado (Levítico 5:11) e por causa de ciúmes (Números 5:15).

Os judeus também empregavam o azeite para friccionar o corpo, depois do banho, ou antes de uma ocasião festiva, mas em tempo de luto, ou de alguma calamidade, abstinham-se de usá-lo.

O azeite também era reconhecido como um medicamento entre os judeus (Isaías 1:6; Marcos 6:13; Lucas 10:34 e Tiago 5:14).

Pode-se dizer que na cultura judaica o azeite indicava o sentimento de alegria, ao passo que a sua falta denunciava tristeza, ou humilhação.

Antes de sua prisão, Jesus passou momentos agonizando no Getsêmani, ou Jardim das Oliveiras, situado nos arredores da Jerusalém antiga. O nome Getsêmani significa lagar do azeite. A escolha do local trazia com exatidão o que estava acontecendo com Jesus momentos antes de ser crucificado, quando iria ser sacrificado e esmagado como uma azeitona, a fim de que a humanidade pudesse receber o Espírito Santo em seus corações.

No processo de confecção de vasos primeiramente tem que haver uma preparação do barro que vai ser utilizado. Ele é extraído do seu local de origem, é estendido numa eira e com um sacho formam-se sulcos para que seque bem. Depois, são hidratados e fazem-se como paralelepípedos que não endurecem. Então, está pronto para ser levado a roda para ser trabalhado pelas mãos do oleiro. Depois de atingir a forma desejada o vaso é levado ao formo para secar.

O oleiro busca a perfeição, busca fazer o vaso mais bonito, nem que para isto tenha que quebrá-lo diversas vezes. "Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós" - 2ª Corintios 4.7.

No original do Novo Testamento a palavra vaso “skênòs”, é usada 22 vezes, umas literalmente, outras em sentido figurado.

Literalmente, no plural, pode referir-se a bens, propriedades, móveis. No singular, é um objeto: um receptáculo, um jarro, um prato, uma ferramenta, um equipamento. Vaso é também um navio.

Neste caso, há uma referência ao navio em que Paulo viajou para Roma, navio esse que veio a naufragar (Atos 27.17). Temos também o vaso que desceu do céu, na visão de Pedro em Jope: "... um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas..." - Atos 10.11.

De tudo isto lemos no Novo Testamento: de vasos de ouro, de prata, de pau, de barro, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro, de mármore e de marfim. Lemos de vasos jarrões, de vasos móveis, de vasos bens, de vasos navios, de vasos sacos.

Mas há também vasos vivos. Este é o sentido figurado da palavra.

Vejamos:"Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro, uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idóneo para uso do Senhor e preparado para toda a boa obra" - 2ª Timóteo 2:20-21.

Sublinhei alguém será barro, pois aqui já não se trata de vasos como objetos, mas de pessoas que são vasos. Tratando-se duma metáfora, se a quisermos interpretar deveremos perguntar: para que serve? Para que serve um vaso?

Um vaso pode servir só como ornamento, só para ser visto. Mas em termos de utilidade prática, um vaso serve como recipiente, serve para conter algo, seja uma planta, um líquido ou uma jóia. Ora, o texto acabado de citar fala-nos de vasos diferentes, uns honrosos e outros desonrosos. A diferença entre os vasos reside naquilo que eles contêm. Não naquilo que aparentam.

Ao pé da cruz, no Calvário, havia um …vaso cheio de vinagre… (João 19.29). Esse vaso bem pode representar uma pessoa (vaso) ácida, cheia de amargura, ou seja, um "vaso de ir", em contraste com um "vaso de misericórdia" que se refere àquelas pessoas que têm dentro delas um tesouro. Esse tesouro é Jesus.

Diz Paulo: "...temos este tesouro em vasos de barro..." (2ª Coríntios 4.6-7.

Vasos de barro são pessoas frágeis, pobres, indignas. Mas pessoas essas que foram purificadas pela aspersão do sangue de Cristo (Hebreus 9.21-22), isto é, regeneradas, promovidas duma situação de vergonha e miséria a uma posição de honra e dignidade.

É possível construir o seguinte paralelo entre Adão e Cristo: Adão (O primeiro Adão) Cristo (O último Adão) Porta larga Porta estreita Caminho largo Caminho estreito Árvore má Árvore boa Planta não plantada pelo Pai Planta que o Pai plantou
Filhos das trevas Filhos da Luz
Servos do pecado Servos da justiça
Semente corruptível Semente incorruptível
Carne Espírito
Vasos para desonra Vasos para honra

Estes vasos somos nós, a quem Jesus arrancou da lama, limpou e quer usar. Vasos talvez quebrados em pedaços, por uma vivência destrutiva, mas em que o Senhor reúne os fragmentos (cacos) e reconstitui o vaso, pela ação do Espírito Santo. Ele faz isso por nos amar e para nos usar.

O Senhor tem um propósito a respeito destes vasos que somos nós. Quer que sejamos Seus instrumentos "...para dar a conhecer as riquezas da Sua glória..". - Romanos 9.23-24.

Jesus foi ao encontro de Saulo e transformou a sua vida. Ao falar dele a Ananias, o mesmo Jesus disse: "Vai porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome aos gentios, e aos reis e aos filhos de Israel" - Atos 9.15,18. Para levar, não só para conter ou guardar. Um vaso que leva o Nome de Jesus a outros.

Quando Jesus expulsou os vendilhões do templo, não consentiu que alguém levasse algum vaso dele. Também Ele não quererá que os Seus vasos humanos, Seus servos, sejam roubados, sejam profanados, sejam desviados do fim para que os destinou.

Na parábola da candeia, Jesus disse: "E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso..." - Lucas 8.16.

E que acontece aos vasos-pessoas que Ele chamou a Si, para a Sua obra? Servem para erguer bem alto a luz de Cristo, ou para a tapar? Manifestam-se ousadamente ao lado de Jesus e dos que Ele quer recuperar, quer erguer da miséria e da solidão?

Ou envergonham-se e demitem-se?

Somos vasos. Vasos vivos. Vazios ou ocupados? E se ocupados, o que há dentro de nós? Ódio, amargura, indiferença, acomodação, egoísmo? Somos vasos cheios de nós próprios, vasos de barro cheios de barro? Que, ao contrário, sejamos vasos possuídos e habitados por Jesus, por Ele purificados e usados para ir ao encontro dos cansados e oprimidos, de todo os que sofrem e têm uma existência vazia, levar-lhes a Boa Nova libertadora, o amor ativo, como instrumentos de Deus.

A metáfora do oleiro e do vaso que Deus usa para transmitir uma mensagem para o seu povo. Ele é o oleiro, Israel, o vaso. Israel havia se afastado de Deus e por isso precisava ser quebrado pelo oleiro.

Hoje a igreja é o Israel de Deus e sendo assim, esta palavra é extremamente atual e relevante, e justamente por isso eu queria ver com vocês Algumas verdades sobre a relação do barro e o oleiro:

1. É NECESSÁRIO QUE HAJA DISPONIBILIDADE DA NOSSA PARTE (V.2)

• A casa do oleiro é símbolo da presença de Deus, logo, para que eu desfrute desta presença é necessário que eu esteja disponível. O problema é que nós somos muito ocupados, temos muitos afazeres. Lucas 9.57-62 demonstra justamente a nossa realidade.

2. PARA SE ENCONTRAR COM O OLEIRO TEM QUE DESCER (V.2)

•Este descer tem um significado muito importante - o da humilhação.
• Jeremias 1.6 - “não passo de uma criança”.
• 1 Pe 5.6 – “Humilhai-vos debaixo da potente mão de Deus para que a seu tempo vos exalte”.
• Fp 2.3 – “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade considerando cada um os outros superiores a si mesmo”• 1Tm 1.15 - Paulo se considera o principal de todos os pecadores
• Quando descemos à casa do oleiro permitimos que ele cuide da nossa alma.
• Queremos o cuidado de Deus, mas não queremos nos submeter a ele. É como a história do paciente que quer ficar bom, mas não está disposto a se submeter às prescrições médicas.

3. VOCÊ É O VASO DE BARRO, O BARRO É FRÁGIL, LOGO, VOCÊ É QUEBRÁVEL (V.4)

• Por mais espiritual que você seja, você é quebrável, é frágil.
• Jesus disse que Pedro o negaria 3 vezes, mas Pedro não reconheceu sua fragilidade – Mt 26.34.
• Jó era um homem fiel, integro, mas mesmo assim teve que se deparar com sua fragilidade.
• “É muito melhor quebrar na mão do oleiro onde há restauração, do que ficar na mão do diabo e ser destruído”.

4. ESTE PROCESSO DEMONSTRA A OBRA QUE DEUS QUER FAZER EM NÓS (V.4)

• “…Segundo bem lhe pareceu…”
• Fp 1.6 – Aquele que começou a boa obra…• A maior obra que Deus quer fazer é dentro de nós. Tudo começa aqui dentro.
• Deus quer fazer primeiro em nós para poder fazer muito através de nós.

5. O OBJETIVO DA RESTAURAÇÃO DO VASO É PARA QUE ELE SEJA CHEIO, OU MELHOR, TRANSBORDE DO AZEITE

Deus não usa vaso quebrado!

• O óleo é símbolo do Espírito Santo
• Sl 133 – o óleo que desce sobre a barba de Arão.
• Avivamento é justamente o transbordar do azeite para fora do vaso.

6. O OLEIRO NUNCA DESISTE DO VASO

• Lc 22.61 – “fitando os olhos em Pedro”
• Ele sempre dá um jeito no vaso.
Vinte designações gerais dos vasos.

A) Vasos santos, I Sm.21:5
B) Vasos ungidos, Ex.30:26-29;40:9,10; Nm.7:1
C) Vasos sagrados, I Rs.8:4; I Cr.22:19
D) Vasos para ministrar, II Cr.24:14
E) Vasos escolhidos, At.9:15
F) Vasos de misericórdia, Rm.9:23
G) Vasos de ira, Rm.9:22
H) Vasos para honra, Rm.9:21; II Tm.2:20
I) Vasos para desonra, Rm.9:21; II Tm.2:20
J) Vasos desejáveis, Os.13:15
L) Vasos de oleiro, Ap.2:27; Sl.2:9
M) Vasos fracos, I Pd.3:7
N) Vasos quebrados, Sl.31:12; Lv.6:28
O) Vasos emprestados, II Rs.4:4
P) Vasos vazios, II Rs.4:4
Q) Vasos cheios, II Rs.4:6
R) Vasos com azeite, MT.25:4
S) Vasos sem azeite, MT.25:3
T) Vasos menores, Is.22:24
U) Vasos preciosos, II Cr.36:10

Em qual desses vasos você se encaixa?

Que Deus nos ajude a sermos o vasos bênçãos nas mãos do Senhor pois só assim o azeite( que é o símbolo do Espírito Santo) poderá ser derramado com abundância sobre cada um de nós em nome de Jesus, amém!

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